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Meu tesão sumiu na pandemia! E agora?

Universa

14/06/2020 04h00

Photo by David Fagundes from Pexels

Desde o início da pandemia, muito se discute sobre métodos e artimanhas para manter a libido em alta, técnicas de sexo virtual, variações para não deixar o dia a dia dos casais confinados cair no tédio, mas… e quando a libido simplesmente some?

Assumo uma mea-culpa aqui, já que demorei a perceber como a gente pode cair facilmente num discurso que também é opressor: o que coloca o prazer e a satisfação sexual acima de tudo. Ao dar uma lida nos meus próprios textos notei que, pelos assuntos tratados, parece que a gente espera que esteja todo mundo subindo pelas paredes em tempos de confinamento e a verdade não é bem assim.

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A Ana Gehring, fisioterapeuta pélvica idealizadora do maior portal de saúde íntima e sexualidade feminina Vagina Sem Neura, me explicou o que é mais comum de ocorrer com a nossa libido em momentos de stress e medo:

"Libido e stress não combinam. Quando estamos preocupadas, ansiosas e com medo, é natural que a libido seja afetada e há uma causa para isso: a amígdala cerebral nos avisa quando estamos em uma situação de medo e stress e ao ativa-la bloqueamos toda a resposta de excitação sexual na vagina. A lubrificação não flui bem, diminui a sensibilidade do clitóris e os homens acabam prejudicados com problemas de disfunção erétil e ejaculação precoce."

Ou seja, é normal não estar com essa energia sexual toda e não há motivo para sentir culpa nesse momento. É fácil esquecermos que não estamos simplesmente vivendo uma nova rotina, nós estamos tentando criar uma rotina durante uma pandemia mundial, algo que as nossas gerações nunca presenciaram e para a qual não estávamos minimamente preparados.

Então, repito porque é preciso fixar isso nas nossas mentes, é normal não querer transar.

Mas se você é um sortudo ou sortuda que continuam cheios de tesão e vontade de transar, tudo bem também! Ambos os lados merecem acolher suas sensações com gentileza. Só é importante lembrar que isso é muito pessoal, ou seja, caso você esteja num relacionamento, é absolutamente normal que cada um tenha seus picos e vales de tesão de forma independente. Não se coloque pra baixo caso seu parceiro ou parceira não corresponda aos seus desejos agora.

Uma lembrança importante que a Ana trouxe na nossa conversa é a de que é preciso estabelecer um relacionamento onde sejamos capazes de dizer sim e não sem sentir culpa. Muitas vezes, principalmente nós mulheres, deixamos de atender a pequenos prazeres importantes no nosso dia a dia que não estão atrelados à penetração: um beijo de língua, uma massagem, uns amassos. E fazemos isso com medo de que, ao pedir ou iniciar algo assim, seus parceiros entenderão que o próximo passo tem que ser o sexo com penetração.

Ela explica: "Eu vejo as mulheres se privando de coisas muito boas, que elas sentem falta, pelo medo de depois ter que fazer alguma coisa que elas não gostariam. Só que bloqueando beijo de língua, a gente acaba bloqueando outras intimidades. Dentro de um relacionamento sempre vai ter alguém que vai querer mais e alguém que vai querer menos. O negócio é conversar e também tornar a masturbação algo normal dentro de um relacionamento."

Ela defende que o "orgasmo em doses homeopáticas", seja todos os dias ou algumas vezes na semana para fazer a liberação hormonal, que nos causa bem estar e aumenta nossa criatividade e nosso poder de tomada de decisão.

Pra quem quer entender ainda mais esse tema, pra se livrar da culpa e não tornar o sexo mais uma fonte de ansiedade e preocupação, pode acompanhar a Ana lá no instagram. Ela compartilha muitas dicas importantes e eu mesma tenho aprendido demais nos últimos tempos.

E você, o que tem aprendido sobre você e o seu tesão durante a pandemia? Acha que algo mudou? Compartilha nos comentários!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.

Mayumi Sato