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Mayumi Sato

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Conhece alguém que curte suruba? Olhe esses dados e pense mais uma vez

Mayumi Sato

20/01/2018 05h00

Se você habitou o planeta Terra nos últimos dias, deve ter se deparado com inúmeras publicações discutindo e problematizando um Funk chamado "Só uma surubinha de leve". Discussões importantes trouxeram à tona esse nosso costume antigo de perpetuar a cultura de estupro – tratando situações de abuso, violência e assédio como piada ou entretenimento.

Dentre todos os problemas relacionados a esse tipo de discurso reproduzido pela música em questão, um deles – menor, porém não irrelevante – é o de perpetuar tabus e preconceitos em torno de diferentes práticas sexuais. Que fique claro, suruba é sexo grupal envolvendo adultos que participam dessa atividade de forma consensual e prazerosa. Se não for assim não é suruba, é abuso.

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Não é incomum que pessoas que se interessam por suruba sejam taxadas como depravadas, imorais ou bizarras. Como se tivessem características específicas, fossem violentas, excêntricas ou criminosas. Esse tipo de preconceito (alimentado por tabus que não se sustentam em dados) acaba impedindo que discussões sobre limites e relações sexuais saudáveis sejam realizadas de forma construtiva.

Mas afinal, quem é o surubeiro brasileiro?

O perfil do brasileiro interessado em realizar surubas de verdade, aquelas (não custa reforçar) entre pessoas adultas capazes de tomar decisões saudáveis e consensuais, é muito diferente do que habita o imaginário popular.

Pesquisas realizadas dentre os mais de 6 milhões de inscritos da Rede Sexlog (de sexo e swing) por exemplo, identificam os seguintes perfis:

 

Ou seja, os surubeiros somos eu e você =) Brincadeiras à parte, se você pessoalmente não tem interesse pelo tema, saiba que pessoas do seu círculo pessoal, que você considera pacas, fazem parte dessa turma. Não encarar a prática como piada ou sinônimo de comportamento abusivo permite que as pessoas conversem mais abertamente sobre o assunto e a gente entenda um pouco melhor quem somos e do que gostamos.

Acredite: uma surubinha de leve, com certeza não fará mal a ninguém.

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Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.