Mayumi Sato

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O universo dos strips caseiros que movimenta bilhões na indústria pornô

Mayumi Sato

14/12/2017 08h00

Polêmicas sobre pornografia à parte, é certo que trata-se de uma indústria que soube, como poucas, se reinventar para manter a sua relevância mesmo diante de grandes inovações tecnológicas.

Os desafios foram enfrentados sem medo por quem fez do pornô o seu meio de ganhar dinheiro. Das salas de cinema ao vídeo cassete, deste para o DVD, os equipamentos de vídeo cada vez mais popularizados e, enfim, a internet – com sua oferta infinita de material gratuito.

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Tantas batalhas acumularam marcas definitivas ao longo da sua história e, hoje, ela deixa de ser sinônimo de grandes faturamentos, mesmo em mercados mais tradicionais, como o americano.

O futuro do pornô nas livecams

Porém, atualmente, há uma concentração de riqueza da pornografia nas livecams. As exibições ao vivo, realizadas por atrizes, modelos, mas também por pessoas consideradas não profissionais que encontraram ali um meio de vida. Um mercado que, segundo levantamento da BBC, movimentou entre 2 e 3 bilhões de dólares em 2016.

O processo é simples: com um equipamento modesto de áudio e vídeo (que estão na maior parte nos smartphones, por exemplo), qualquer pessoa realiza o cadastro em sites que oferecem ferramentas para que ela se exiba para uma audiência que, em troca, a paga com dinheiro. Os sites, claro, ficam com um bom percentual desse valor. Cerca de 30 a 50% são retidos.

Casai fazem exibições de graça na rede

Sexo em casa e de graça

Em paralelo, existem também milhares de pessoas que estão dispostas a se exibir por prazer. Elas não pedem e muitas fazem questão de não aceitar dinheiro por isso, deixando claro que estão ali apenas pelo tesão em se mostrar. São casais, homens e mulheres que se conectam para excitar desconhecidos através de uma câmera.

Existem diversos sites onde esse tipo de exibicionismo não remunerado acontece, um deles é o Sexlog, rede social desenhada especialmente para casais de swing. Lá, cerca de 200 novas pessoas se exibem por dia, somando quase 500 transmissões diferentes a cada 24h. Os casais são maioria e passam, em média, 20 minutos conectados por exibição.

Conversei com dois desses casais, falando especificamente com as esposas, para colher depoimentos de quem realmente gosta e entende do assunto:

@gordinhaexibida

“A minha maior motivação é me sentir feminina. Saber que domino a minha sensualidade provocando extâse, desejos e fantasias a qualquer pessoa que venha nos visitar pela livecam. Me excito e me amo cada vez mais além de dar prazer ao meu companheiro, melhor tesão não há! Me exibo desde que descobri meu corpo, como posso conduzi-lo e explora-lo. Acho que essa fantasia já veio da alma! Sobre ganhar dinheiro se exibindo, não julgo ninguém pois tenho a mente aberta e respeito a opinião de cada um. Falando por mim, se tiver um voyer íntimo educado e que tenha uma química, que mal tem? Ambos saem realizados e felizes! Não que o corpo seja instrumento de troca, mas se rola sintonia e querem fazer um agrado,  não vejo motivo para não aceitar”

@ksadosaa

“O que motiva a me exibir é ser observada na minha intimidade. Descobri que gostava de me exibir depois que meu ex marido tirou fotos minhas de roupa íntima e percebi que ficaram ótimas, senti tesão com elas. A partir daí comecei a tirar mais e mais fotos e publicar para os meus verem e elogiarem. Isso tudo fez com que a minha auto estima se elevasse! Por ser gordinha achava que não ia ser legal, mas depois vi quantas pessoas curtem as Gordinhas Plus Size e adorei! Minha opinião sobre quem se exibe em troca de dinheiro é que não fica uma exibição gostosa fica artificial pois a pessoa só faz pelo dinheiro.”

E você, já pensou em se exibir e excitar estranhos? Ou se identifica com o voyeur, que assiste a essas transmissões? Em tempos de redes sociais e big brother, em maior ou menor grau, é difícil se distanciar muito dessas duas posições 😉

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.

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