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Quem diria! O BBB está nos ensinando algo novo sobre assédio

Universa

09/02/2020 04h00

Se você gosta ou não do Big Brother, nesse momento, pouco importa.

A discussão em torno da edição atual do programa tem sido muito menos a respeito do reality show em si, a autopromoção e o jogo de estratégias, e muito mais sobre comportamentos que vêm sendo questionados, principalmente pelas mulheres, e apontados como assédio.

E, sim, é assédio.

Homens oferecendo bebida a mulheres com a clara intenção de deixá-las mais vulneráveis (algo que foi verbalizado antes por eles, como parte da estratégia no jogo), passando a mão "sem querer" em seus seios, sarrando uma das meninas que estava bêbada, sentada no chão etc.

Falando assim, fica até difícil imaginar que alguém tenha sequer cogitado que esses comportamentos seriam aceitos sem críticas. Mas, a realidade é outra.

Aqui fora e, também, dentro do programa, há o time dos que acham que isso não é nada demais e dos que querem apontar esse tipo de atitude justamente para que seja repensada e mudada na sociedade.

Baseada nesse verdadeiro Fla x Flu, encomendei uma pesquisa no Sexlog, onde contatamos quase 2 mil pessoas para saber o que é assédio e o que não é. Os resultados, infelizmente, ainda são desanimadores:

As respostas das 1.952 pessoas que responderam, entre homens e mulheres, com idade superior a 18 anos, são:

Pegar na cintura de alguém que você não conhece ou acabou de conhecer?

Homens:

  • 46% responderam Pode
  • 54% responderam Não pode

Mulheres:

  • 53%  responderam Pode
  • 47% responderam Não pode

Oferecer bebida com o objetivo de deixar a pessoa mais bêbada e, portanto, mais flexível para o xaveco?

Homens:

  • 26,5% responderam Pode
  • 73,5% responderam Não pode

Mulheres:

  • 20% responderam Pode
  • 80% responderam Não pode

Beijar, agarrar, transar com alguém que está claramente muito alcoolizada?  

Homens:

  • 12,4% responderam Pode
  • 87,6% responderam Não pode

Mulheres:

  • 10.8% responderam Pode
  • 89,2% responderam Não pode

Beijar alguém que não conhece, tipo beijo no rosto ou no pescoço, para chamar a atenção?

Homens:

  • 47,7%  responderam Pode
  • 52,3% responderam Não pode

Mulheres:

  • 51,4%  responderam Pode
  • 48.6% responderam Não pode

Passar a mão em alguém que não conhece?

Homens:

  • 12,2% responderam Pode
  • 87,8% responderam Não pode

Mulheres:

  • 19,6% responderam Pode
  • 80,4% responderam Não pode

 

Pois é! Pelo visto, o consenso está longe de ser alcançado. A minha esperança é refazer esse tipo de pesquisa daqui a algum tempo e ter uma clara maioria apontando comportamentos invasivos como assédio, porque é isso que eles são.

Para você, que me leu até aqui, fica o apelo: na dúvida, não faça. Coloque-se no lugar da pessoa com quem você pretende interagir. Respeite o corpo, a mente e o espaço mental alheio.

Costumes, práticas e tradições estão aí, ao longo da história da humanidade, evoluindo para tornar a nossa convivência melhor e menos violenta para todos.

Repense e faça a sua parte!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.

Mayumi Sato