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Mayumi Sato

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O seu casamento -- e as suas traições --, segundo "Black Mirror"

Universa

23/06/2019 04h16

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ATENÇÃO: SPOILERS DO EPISÓDIO STRIKING VIPERS, DA QUINTA TEMPORADA DE "BLACK MIRROR"

A quinta temporada de Black Mirror estreou no dia 5 de junho e um dos episódios, Striking Vipers, traz uma discussão muito interessante sobre relacionamentos e o que é, ou não, traição.

A história é simples: dois amigos de faculdade passam a ter relações sexuais por meio de um game de realidade virtual. Um deles é casado e lida com o dilema da própria sexualidade, além da questão de estar "traindo" a esposa. A narrativa utiliza uma novidade tecnológica futurista para refletir sobre como podemos explorar nossas fantasias sexuais, principalmente do ponto de vista do entretenimento adulto.

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É comum e saudável, que dentro de um relacionamento as partes busquem por outras formas de satisfação sexual que não seja o sexo entre o casal. Estamos falando de masturbação ou pornografia, por exemplo. Ou os dois juntos. A fantasia de estar no lugar de um personagem, ou se enxergar naquela situação retratada na pornografia, é mais comum e popular do que imaginamos. O pornô amador é um ótimo exemplo de como nos conectamos com situações que podemos ou queremos viver. Ou o Hentai, categoria muito popular de pornografia, onde vemos versões erotizadas de desenhos e animes.

A tecnologia de "Black Mirror" fala de uma traição que não tem contato físico, apenas virtual. Você já parou para pensar quantas vezes transou com alguém imaginando outra pessoa? Ou, ao assistir um filme, fantasiou em ser um daqueles personagens que conquista e transa com o/a protagonista? Isso pode ser considerado uma "traição"? E o que é traição?

O senso comum, que estabelecemos como sociedade, é que a traição apenas acontece quando há contato físico, offline, mas não quando isso está no mundo das ideias, no virtual. E "Black Mirror" vem para questionar essa tese, mostrando que, no futuro, também vamos explorar nossos corpos e sexualidades de outras formas, talvez mediadas por uma tecnologia.

O fim da história, que deixa claro que a esposa do protagonista aceitou que ele transasse com o amigo na realidade virtual enquanto ela vivia outras experiências no mundo offline, também reflete um modelo novo de relacionamento. Não existem atos proibidas quando é tudo combinado entre o casal.

Traição está em nossas cabeças e traímos parceiros e parcerias o tempo todo. Cabe a nós desconstruir modelos de traição para ter relações cada vez mais saudáveis e com menos frustrações. "Black Mirror" é conhecida por falar sobre o futuro, mas quase sempre fala sobre o agora. Vamos repensar?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.

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