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Mayumi Sato

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Você vai assistir pornografia no cinema ao lado da sua casa

Mayumi Sato

24/03/2019 05h00

Está em cartaz em cinemas tradicionais de SP (ou seja, não nos inferninhos onde a pornografia rola solta), o filme "As Filhas do Fogo". O longa, dirigido pela argentina Albertina Carri, é um pornô lésbico, que acompanha a viagem de mulheres pela Patagônia, numa aventura poliamorosa recheada de sexo, acolhimento e descobertas.

O filme, ganhador de prêmios em diversos festivais ao longo de 2018, questiona o próprio gênero pornográfico, apresentando o sexo explícito de uma maneira diferente dos grandes produtores do gênero. É ao mesmo tempo excitante e delicado, sem deixar o sexo real e fetiches de lado.

Numa entrevista da diretora ao site Hysteria, Albertina define o filme como: "Um pornô que não gere violência, que não viole imagens ou sons, que nos permita desfrutar de todos e de todas, do afeto, e não do desespero ou da raiva… Um grito de liberdade, embora eu goste de pensar mais como um gozo libertador." Leia toda entrevista aqui.

Segundo o site Pornhub, o Brasil é o segundo país com o maior número de mulheres à procura de pornografia, com 35% do seu acesso realizado pelo público feminino. 

Ao mesmo tempo, numa pesquisa realizada pela Conspiração Filmes com cerca de 2 mil mulheres, 76% assumiram assistir a filmes pornográfico e, dessas, quase 90% disseram não se sentir representadas pelo que vêem. 

Unir o interesse do público feminino com produções que de fato se preocupam e contemplam o prazer da mulher e trazem representatividade e diversidade à pornografia, parece um tema que vem – inclusive nos cinemas – ganhando cada vez mais espaço.

Fica então o convite: chame suas amigas e vá ao cinema nesse final de semana 🙂 Apoiar esse tipo de conteúdo, que traz uma nova perspectiva a uma categoria tão dominada pelas produções masculinas, é também uma forma de celebrar o feminino e incentivar a sua existência e evolução.

As Filhas do Fogo está em cartaz no Espaço Itaú de Cinema e no IMS em SP.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.

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