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Mayumi Sato

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Já existe um jeito de transar à distância: conheça o Teledildonic

Universa

2024-02-20T19:05:00

24/02/2019 05h00

Imagine a seguinte situação: você está num relacionamento, mas vai precisar viajar a trabalho, ou até mesmo mudar de cidade, e ficar um certo tempo longe da pessoa que ama e faz sexo.

Como resolver este problema e não depender apenas dos áudios de whatsapp?

Para isso nasceram os teledildonics, ou cyberdildonics, que são brinquedos sexuais turbinados com um toque de internet das coisas. Não é um apenas um brinquedo conectado a um computador ou rede. Estes dispositivos funcionam através de uma máquina ou rede wifi para que duas pessoas possam se conectar e "transar à distância". Pode parecer loucura, mas já é a realidade de muitos casais e pessoas que buscam sexo no conforto do lar.

 Quer saber como é transar com uma atriz ou um ator pornô?

Um estudo da We-Vibe, feito com cerca de mil homens e mulheres com idade entre 35 e 55 anos, aponta que 52% dos casais usam brinquedos para apimentar a relação. E 51% dizem que o uso desses brinquedos melhorou a comunicação do casal a respeito de sexo.

Esta é uma tecnologia disruptiva que gera impactos não somente na vida de seres humanos, mas em indústrias gigantescas como a pornográfica. Num futuro não muito distante, poderemos assistir filmes em realidade virtual e sentir, através dos teledildonics, como é transar com determinada atriz ou ator.

A indústria do sexo pago também será transformada quando pudermos interagir com corpos de pessoas que estão a kms de distância. No momento, profissionais que se exibem em chats online já usam alguns desses brinquedos, permitindo que o espectador possa interagir ao controlar um vibrador e sua intensidade.

Masturbação por aplicativo

Para casais que não estão separados pela distância, pode ser mais uma ferramenta de diversão quando um parceiro ativa um masturbador através de um aplicativo, por exemplo. As possibilidades já são numerosas.

Apesar disso, poucas empresas estão preocupadas com os impactos negativos dessa tecnologia. Quando brinquedos sexuais se conectam à internet, estão sujeitos à coleta de dados dos consumidores, invasão de privacidade e muitos outros problemas. Se alguém pode controlar o seu vibrador à distância, quais as chances desse dispositivo ser hackeado? Como fica a privacidade neste cenário? E os brinquedos com câmeras, são seguros?

Cuidado, alguém pode assumir o controle do seu dildo

Dispositivos de internet das coisas ainda não possuem protocolos unificados e seguros, como o http, e cada empresa produz o seu próprio sistema. Estamos falando de um mercado com produtos sujeitos a falhas de segurança e invasões por parte de gente mal intencionada.

Num experimento recente em Berlin, um rapaz conseguiu localizar e controlar através de bluetooth alguns vibradores que estavam "visíveis" em seu entorno. Fabricantes ainda não pensam sobre como diminuir as vulnerabilidades de seus produtos, pois acreditam que privacidade não é uma questão primordial no momento. Entretanto, num futuro com brinquedos sexuais cada vez mais conectados, pensar privacidade será de extrema importância.

Se não existe o contato físico, mas uma interferência remota, é abuso?

Outra questão importante: se alguém hackear o seu dispositivo, enquanto você o usa, isso caracteriza abuso sexual? Como lidaremos com tudo isso no futuro?

O consentimento, saudável e necessário em qualquer relacionamento sexual, é facilmente violado quando um teledildonic é hackeado. Pode parecer loucura, mas são questões que precisaremos nos preocupar num futuro muito próximo. Afinal, consentimento é essencial mesmo numa relação remota.

E você, o que pensa do assunto? Já usa ou usou teledildonics?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.