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Mayumi Sato

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Mulheres lésbicas gozam mais. O que há de errado com os casais héteros?

Mayumi Sato

2026-01-20T19:05:00

26/01/2019 05h00

Getty Images

A sexualidade lésbica infelizmente ainda é tratada por muitos como um fetiche e um tabu ao mesmo tempo. Piadas movidas por homofobia ainda são comuns quando, na realidade, elas estão muito mais felizes sexualmente do que a média (hétero) da população.

O instituto de pesquisa inglês Kinsey, focado em pesquisas sobre sexualidade, decidiu comparar as taxas e satisfação sexual entre pessoas heterossexuais e homossexuais.

Enquanto homens gays e héteros apresentaram praticamente a mesma chance (85%) de atingir o orgasmo, entre as mulheres a discrepância foi grande. Mulheres lésbicas atingiram o orgasmo em 75% das relações sexuais durante o período analisado, enquanto mulheres héteros chegaram lá em apenas 65% das relações com seus companheiros.

Homens não sabem que elas não estão gozando

Talvez seja a forma de encarar a relação sexual. De maneira geral, o tipo de sexo praticado por mulheres lésbicas e héteros é diferente e envolve diferentes fatores psicológicos e físicos.

No sexo heterossexual, espalhou-se a ideia de a penetração é o "ato principal" da relação, enquanto o sexo oral e a masturbação da mulher seriam apenas preliminares. Na vida real, porém, apenas 25% das mulheres conseguem atingir o orgasmo com a penetração, muito diferente do que é retratado nas "rapidinhas" dos filmes românticos e na pornografia. Isso significa que pouquíssimas mulheres conseguem ter um orgasmo vaginal com seus parceiros.

Como resultado de várias pressões (para seguir o ritmo do parceiro e gozar junto, por exemplo), muitas mulheres acabam fingindo o orgasmo através da penetração para não desapontar seus parceiros, pois ficam constrangidas de falar que não sentem prazer desta forma ou que demoram mais para chegar ao orgasmo.

Mas, se os homens não sabem que elas não estão gozando com a penetração, logo eles também não se dedicam tanto a outras formas de dar prazer às suas companheiras.

Mulheres têm orgasmos mais complexos

Já nas relações lésbicas, embora a penetração seja uma possibilidade com mãos, dedos, língua e um zilhão de diferentes brinquedos, ela não necessariamente está no centro da relação sexual. O melhor conhecimento sobre as regiões erógenas femininas também facilita o processo de dar prazer às parceiras.  Afinal, o clitóris feminino tem muito mais terminações nervosas do que o pênis, o que torna o orgasmo das mulheres relativamente mais complexo.

Além disso, sexo oral, carícias e o prazer através de diferentes partes do corpo, geralmente não são encarados como preliminares. Termo esse – preliminar – que se pararmos pra pensar, não faz o menor sentido. Tudo é sexo e tratar a relação com carinho e desejo do início ao fim, deveria ser uma regra universal.

Sexo é aprendizado constante

Pessoas homossexuais e bissexuais são forçadas a quebrar paradigmas todos os dias. Homens e mulheres héteros, porém, podem ter dificuldade em reconhecer que nem tudo o que está na "cartilha" da sexualidade hétero funciona para todo mundo.

Se você é mulher hétero e se identifica com os dados acima, talvez seja hora de trocar uma ideia com o parceiro, sem culpa. Já se você é o homem da relação, talvez seja hora de rever algumas certezas e perguntar se sua companheira gostaria de tentar outras técnicas e sobre como ela lida com o orgasmo.

Nada de levar a discussão para o pessoal, afinal sexo é um aprendizado constante que envolve muita empatia. Você é hétero? Bi? Gay? O que achou desta discussão? Deixe seu comentário abaixo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.