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Mayumi Sato

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O que os aplicativos de relacionamento nos ensinam sobre consentimento?

Universa

17/04/2018 04h00

Se você nunca conheceu um crush no aplicativo ou foi atrás de uma noite de sexo casual, com certeza conhece alguém que já se aventurou por aí. Afinal, a tecnologia está aí para isso, conectar pessoas atraentes e interessantes.

E é por estarmos vivendo num mundo onde as conexões acontecem com mais facilidade que é importante refletir sobre a nossa capacidade de entender corretamente o que o seu "match" realmente quer.

Ao se conectar com alguém online através de algum desses aplicativos, é fácil assumir que a pessoa está louca para transar com você, ouvir você falar umas palavras "cabeludas" e receber um nude explícito. A sacanagem está liberada, afinal, ela já te "aprovou", certo? Nem sempre.

É importante levar em consideração que, muitas das pessoas ali, são apenas curiosas, ou só querem flertar e se sentir desejadas. Segundo o Global Web Index, mais de 42% das pessoas que usam o Tinder namoram ou são casadas. Esse pode ser um indício de um grande volume de pessoas que não está necessariamente interessada em encontros reais, por exemplo. Tampouco podem estar interessadas em receber nudes.

Por isso, saber abordar, estabelecer uma conversa e ouvir com atenção, é sempre importante. Pois, se na vida real a linha entre o xaveco e o assédio já é tênue, na internet a mesma coisa acontece:

Uma pesquisa da Universidade de Binghamton de Nova York, realizada no ano passado com 145 homens héteros, analisou o nível de compreensão de uma recusa verbal de diferentes mulheres, a partir de interações online. O resultado mostra que, para os homens, ainda é difícil identificar uma negativa. Em uma escala de 1 a 7, os homens analisados tiraram nota 2,3 de compreensão do "Não".

Ou seja, vale a pena repensar se é legal mandar (ou pedir) aquele nude logo de cara ou já chegar sugerindo sacanagem. Vale a regra de ouro: aborde pessoas na internet como você abordaria na vida real, sem afobação e sem deduzir as intenções do outro. Uma boa comunicação pode te ajudar a transar mais e melhor!

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.