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Mayumi Sato

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Gosto de ser dominante na minha vida pessoal e adoro ser dominada na sexual

Universa

17/03/2018 05h00

 

Escutei essa frase, e muitas variações dela, em uma roda de conversa entre casais liberais (adeptos de swing e relações abertas). Aparentemente, essa possibilidade de performar diferentes personalidades na cama é uma unanimidade entre eles.

Mas ao relembrar que já foram "casais baunilha" (aqueles que na gíria liberal tem relações estritamente monogâmicas), muitos assumiram que não pensavam assim.

Ao que tudo indica, não é incomum, principalmente em casais não liberais, essa confusão entre a forma como lidamos com nossas vidas pessoais, familiares e profissionais, e do que gostamos na cama.

Ao contrário do que nós, que conversamos abertamente sobre sexo, imaginamos, a possibilidade de performar papéis "contraditórios", em diferentes aspectos da vida, nem sempre é uma possibilidade explorada abertamente.

Falta diálogo e espaço para tentar coisas novas. Falta diálogo e liberdade para que o outro consiga expressar seus desejos. Mas, acima de tudo, o que falta é diálogo.

E é nisso que os casais liberais mais se diferenciam dos baunilhas. A dinâmica das suas relações precisa estar pautada em diálogo, discussões e acordos. Sem isso, como reforço aqui texto após texto, não estamos falando de relações liberais, estamos falando de relações abusivas.

Em um levantamento rápido feito entre cerca de 500 mulheres, 40% se dizem dominadoras e 60% se identificam como submissas na cama, mas elas ressaltam que tudo depende do dia, do humor, da (ou do) parceira (o) e por aí vai. Ou seja, no fundo, elas preferem não se limitar.

Em seus momentos de dominadoras, as preferências estão em dar ordens a seus parceiros, pedir coisas que eles não fariam normalmente e dar uns tapas. Nas noites em que querem ser dominadas, puxadas de cabelo, tapas e ouvir coisas mais pesadas, é o que faz mais sucesso.

Se quiser saber um pouco mais sobre essas relações de poder, dominação e submissão, gravei um vídeo bem detalhado sobre o assunto. E aproveito para responder: dá pra ser feminista e submissa? Clique aqui para assistir.

 

 

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.