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Mayumi Sato

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Dos desafios de ser mulher e trabalhar com sexo

Universa

09/03/2018 05h00

Trabalhar com sexo também exige que eu encare de frente questões difíceis (Getty Images)

Não posso reclamar do meu trabalho. Sexo é um assunto que sempre despertou o meu interesse e poder estudar esse tema no dia a dia para aplicar às minhas decisões de negócio só une o útil ao agradável.

Na teoria. Porque trabalhar com sexo também exige que eu encare de frente questões difíceis em torno, principalmente, da sexualidade da mulher e da forma como os homens compreendem isso.

Dos cerca de 7 milhões de brasileiros que usam o Sexlog (rede social de sexo e swing), cerca de 7% são mulheres, o restante se divide entre casais e homens. O que dá algo em torno de 490 mil mulheres no total. É algo como toda a população de Niterói (RJ), só do sexo feminino, interessadas em sexo casual.

Não é um número pequeno e está próximo da média de outras redes similares internacionais (que falam algo em torno de 6% como número de mulheres desse mercado), mas ainda é pouco em relação a quantidade de mulheres brasileiras, que, de fato, se interessam pelo assunto.

E porque é tão difícil aumentar esse número?

Porque a sexualidade da mulher continua, em pleno 2018, sendo anulada. Uma sexualidade que só é aceita quando atende às demandas e desejos dos homens, quando segue regras criadas por uma ótica machista e patriarcal e quando se encaixa a conceitos antiquados e limitadores de "normalidade".

Uma amostra disso você pode encontrar, inclusive, na caixa de comentários deste blog. Como sou moderadora deles, deleto aqueles que agridem outras pessoas por meio de homofobia, preconceito racial, de gênero ou de classe, mas acabo deixando alguns exemplos que servem para expor essa lógica violenta que rege os nossos dias.

Homens sem pudor em classificar alguém que eles não conhecem como depravada, injusta (com eles, é claro), alienada e alguém que deveria –para a segurança de todos– se manter calada.

Imagino como, em suas vidas cotidianas, também pratiquem esse tipo de silenciamento com as mulheres ao redor. E assim seguimos sem entender os nossos desejos, a diversidade de coisas que nos dão prazer, nossos corpos e angústias.

Mas tudo isso, no fim das contas, só me serve de combustível. Assim como o dia 8 de março, que relembra as inúmeras mulheres, que, ao longo da história, desafiaram o patriarcado e arriscaram as suas vidas para que mudanças acontecessem e eu pudesse, hoje, continuar lutando. Considero minhas decisões pessoais e de negócio também como decisões políticas.

E ainda há muito o que fazer!

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.