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Mayumi Sato

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Já imaginou como será sua vida sexual na velhice?

Universa

04/08/2018 05h00

 

Quando falamos em envelhecimento, as prioridades são o planejamento da aposentadoria e o cuidado com a saúde no longo prazo, pensando em ter mais qualidade de vida pelo maior tempo possível. Mas onde entra o sexo nessa equação?

Em 2030, o Brasil terá a quinta maior população de idosos do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o que significa que é preciso olhar com mais atenção sobre a saúde sexual dos idosos.

Nossa cultura ainda hipervaloriza o sexo entre jovens e muitas vezes coloca o sexo entre idosos como algo repulsivo. Ainda que a idade seja muitas vezes acompanhada de uma certa perda de libido e lubrificação, não enxergar senhores e senhoras como seres sexuais é uma ilusão e tanto.

Uma pesquisa do Programa de Estudos em Sexualidade da Universidade de São Paulo, realizado em 2016, mostrou que 66% das mulheres com 60 anos ou mais são ativas sexualmente. Entre os homens, este índice chega a 92%.

Diferentemente do que prega o senso comum, os dados mostram que idosos têm exercitado seus desejos e vontades sexuais. Além dos óbvios fatores biológicos, isto acontece por conta de mudanças sociais das últimas décadas.

Muitos idosos da geração atual tiveram contato com ideais de sexualidade mais fluidos ao longo de suas vidas, seja por conta da popularidade da pílula anticoncepcional nos últimos 40 anos ou pelo aumento da preocupação com o planejamento familiar.

Acredito que, para as próximas gerações de velhinhos (incluindo a mim), a percepção sobre o envelhecimento será ainda mais positiva, e a conversa sobre sexo na terceira idade será mais natural. Afinal, a idade é vista cada vez menos como um fator limitante para nossas experiências. Jovens de hoje estão mudando padrões de aceitação sobre seus corpos e preferências sexuais, o que com certeza vai ter impacto quando ficarem mais velhos.

Do ponto de vista de saúde pública, entidades de geriatria têm provado que a atividade sexual pode diminuir os riscos de depressão na terceira idade. Por outro lado, o aumento do número de idosos com HIV no Brasil nos últimos anos também mostra que esta população precisa estar no radar de campanhas de educação sexual governamentais e privadas, assim como qualquer outro público.

Já imaginou como será sua vida sexual na velhice? Tem mais dúvidas sobre sexualidade na terceira idade? Deixe seu comentário abaixo.

Sobre a autora

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está – não estamos – só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Sobre o blog

Dados e pesquisas sobre sexo e o comportamento dos brasileiros entre quatro paredes. Muita informação, tendências, dados – e experiências próprias! - sobre o assunto. Um espaço para desafiar tabus e moralismos em torno do sexo.